Janaina Pinheiro Rúfilo Teixeira, Celina Francisca dos Santos da Matta, Thander Jacson Nunes Calente.

A dignidade é um princípio fundamental dos direitos humanos e deve ser preservada em todas as fases da vida, especialmente no processo de morrer [1]. Nos cuidados de saúde, a perda de dignidade está associada a sofrimento físico, psicológico e social, impactando significativamente pacientes em fase final de vida [2]. A Terapia da Dignidade, criada por Chochinov em 2005, é uma psicoterapia breve que busca reduzir o sofrimento psicossocial e favorecer a construção de um legado [2]. A intervenção pode auxiliar a equipe de saúde a oferecer um cuidado mais individualizado e centrado na dignidade, embora não seja indicada para pacientes com depressão severa ou comprometimento cognitivo significativo [3]. Objetivo: Analisar os efeitos da Terapia da Dignidade em pacientes em cuidados paliativos. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa, de caráter descritivo e exploratório. A busca foi realizada nas bases PubMed, Scopus e Web of Science, utilizando os descritores “Dignity Therapy”, “Palliative Care” e “End of Life”. Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, em inglês, português e espanhol, que abordassem a aplicação da Terapia da Dignidade em pacientes em fase final de vida. Fundamentação Teórica: Pacientes submetidos à Terapia da Dignidade apresentam redução de sintomas depressivos e ansiosos, aumento da autoestima, fortalecimento do propósito existencial e maior desejo de viver os dias restantes com qualidade [2]. A ênfase na revisão de vida, no reconhecimento das conquistas e valores pessoais contribui para a ressignificação do sofrimento e para a construção de uma narrativa coerente sobre a própria trajetória [4]. Outro aspecto relevante é a elaboração do documento legado, que proporciona conforto aos familiares, fortalece vínculos e favorece a aceitação do processo de morte [5]. Esses efeitos evidenciam que a Terapia da Dignidade não beneficia apenas o paciente, mas também seus cuidadores e familiares, promovendo um cuidado mais humanizado e centrado na dignidade da pessoa [4]. Considerações finais: A Terapia da Dignidade configura-se como uma intervenção eficaz e humanizadora nos cuidados paliativos, com impactos positivos tanto para pacientes quanto para familiares. Contudo, ainda há necessidade de maior padronização metodológica e de estudos com amostras mais amplas, a fim de consolidar sua aplicabilidade clínica em diferentes contextos de cuidados em fim de vida.
¹Graduada em Psicologia. Mestranda em Saúde da Família. Pós-graduada em Psicologia Hospitalar. Formação em Luto e Cuidados Paliativos, além de Formação Sistêmica Individual, de Casal e de Família. E-mail: Jana.rufilo@gmail.com
²Professora do Curso de Medicina no Instituto de Educação Médica – Centro Universitário Estácio de Ji-Paraná. Mestranda em Saúde da Família. Especialista em Unidade de Terapia Intensiva Geral e Gestão da Assistência Intensiva ao Paciente Crítico. Especialista em Urgência e Emergência em Enfermagem. E-mail: celina.fsmatta@gmail.com.
³Professor de Medicina no Instituto de Educação Médica – Centro Universitário Estácio de Ji-Paraná. Mestre em Farmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Especialista em Imunologia e Microbiologia. Graduação em Biomedicina pelo Centro Universitário São Lucas Ji-Paraná. E-mail: thander.calente@professores.ibmec.edu.br
Referências bibliográficas
[1] AOUN, S. M.; CHOCHINOV, H. M.; KRISTJANSON, L. J. Dignity therapy for people with motor neuron disease and their family caregivers: a feasibility study. Journal of Palliative Medicine, v. 18, n. 1, p. 31–37, 2015.
[2] SEILER, A. et al. Effects of dignity therapy on psychological distress and wellbeing of palliative care patients and family caregivers – a randomized controlled study. BMC Palliative Care, v. 23, n. 1, p. 73, 2024. DOI: 10.1186/s12904-024-01408-4.
[3] ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE CUIDADOS PALIATIVOS (APCP). Desenvolvimento dos Cuidados Paliativos em Portugal. Lisboa: APCP, 2016. Disponível em: https://www.apcp.com.pt/uploads/Ministerio_da_Saude_Proposta_vf_enviado.pdf. Acesso em: 20 ago. 2024.
[4] BARBOSA, A. P. C. A fundamentação do princípio da dignidade humana. In: TORRES, R. L. (org.). Legitimação dos direitos humanos. Rio de Janeiro: Renovar, 2002.
[5] BARZOTTO, L. F. P. Uma análise estrutural da dignidade da pessoa humana. In: ALMEIDA FILHO, A.; MELGARÉ, P. (org.). Dignidade da pessoa humana: fundamentos e critérios interpretativos. São Paulo: Malheiros, 2010.
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